quarta-feira, 28 de novembro de 2018

ANDE NO CAMINHO DO REINO


Ap. Jota Moura 

“E este evangelho do reino será prega­do no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.” (Mt. 24.14)


      Todos nós fomos formados num contexto religioso em que a palavra Igreja é muito mais familiar do que a palavra Reino e, no geral não há boa compreensão por parte dos crentes sobre o que é o Reino de Deus e o que é a Igreja. Vamos tratar do assunto na forma de perguntas e respostas, para fa­cilitar a exposição e a própria compreensão do tema. Primei­ramente abordaremos a visão do Reino para depois então contrastar com a ideia de Igreja e a consequente aplicação prática do assunto.

1. QUANDO COMEÇOU O REINO DE DEUS?
1) Desde que Deus criou o universo - Ele é Rei sobre tudo e sobre todos. Na narrativa da criação, em Gênesis 1 e 2, fica claro que Deus criou todas as coisas, inclusive o homem para submeter ao Seu domínio.
2) Ao criar o homem deu-lhe três mandatos - que ele teria de obedecer para ser eternamente feliz: um mandato cultural (Gn. 1:26; 2:15 e 20); um mandato social (1:28; 2:18, 21-23 e um mandato espiritual (2:16-17).
3) Deus dominaria sobre o homem - e o homem dominaria sobre a criação (2:28) como um vice gerente de Deus na ter­ra e tudo funcionava em perfeita harmonia. Deus como Rei de toda criação provia de alimento o homem e os animais (Gn. 1:29-30). O Reino funcionava em perfeita ordem.

2. QUE ACONTECEU APÓS A QUEDA?
1) Após a desobediência dos nossos primeiros pais - e o consequente pecado, foi quebrada a harmonia desse Reino. O que vemos daqui em diante é uma raça humana prejudi­cada cultural, social e espiritualmente.
2) A palavra “queda” define esta nova situação - Deus ainda é o Rei como sempre será Rei, mas a raça humana, ou seja, os servos do reino estão afetados pelo pecado, foram atingidos pela queda e, portanto, estão sem condições de cumprir, pelo menos de forma correta, os mandatos estabe­lecidos no início.
3) Atitudes tomadas por Deus diante da queda - Em Gê­nesis 3:15, em cima das ruínas e desmoronamento do Rei­no, Deus faz uma promessa de restauração, prometendo um Restaurador (Gn. 3.15). Aquele que viria esmagar a cabeça de Satanás, autor do pecado e iniciador de um império de trevas, pecado e desobediência. Um dia todo este domínio pecaminoso estará sujeito ao Restaurador, ou seja: debaixo dos pés do Senhor Jesus Cristo. A partir da promessa, co­meçaram as providências para a chegada desse reino res­taurado.

3. QUAIS COISAS CRISTO VEIO RESTAURAR NA TER­RA?
1) Jesus veio não só para restaurar o homem - mas toda a criação, toda a terra que foi amaldiçoada com o pecado (Gn. 3:17-18); os animais que sofrem as consequências do pecado (Os. 4:3). Paulo disse em Romanos 8:22 que “toda a criação geme”, aguardando a restauração (Cl. 1.13).
2) Paulo fala que Cristo veio para reconciliar - com Ele mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus (Cl 1:20). No livro de Apocalipse, que retrata o fim da obra restauradora de Cristo, está expresso: “eis que faço novas todas as coisas” (Ap. 21:5).
3) Paulo fala ainda das coisas do fim - “depois virá o fim, quando tiver entregado o Reino a Deus, ao Pai e quando houver aniquilado todo império, toda potestade e força (do mal)” 1Co. 15.24). Portanto, o Reino dos céus, que é o Reino de Jesus, não compreende só pessoas, mas todas as coi­sas. Ele é o Restaurador de tudo.

4. POR QUE OS EVANGELHOS FALAM TANTO EM REI­NO?
1) Os Evangelhos usam mais de cem vezes a palavra “reino” - isso porque eles registram a chegada de Cristo em cumprimento das promessas; e a Sua chegada aqui foi des­crita por João Batista e pelo próprio Cristo como a chegada do Reino de Deus (Mt. 3:2; 4:17).
2) Com a vinda de Cristo e Sua obra - e o ministério dos apóstolos, inaugurou-se a implementação do Reino que crescerá até à consumação dos séculos. Jesus ilustrou o crescimento do reino com as diversas parábolas, quando sempre ensinava: “O Reino dos céus (ou de Deus) é se­melhante...” (Mt. 13). Na oração Dominical Ele nos ensinou a orar pedindo entre outras coisas: “venha o teu reino”. No Sermão do Monte, Ele ensinou que a nossa preocupação deve ser com o reino de Deus, quando disse: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas” (Mt. 6.33). Jesus falou do Reino de modo abrangente, mostrando que Deus cuida de homens, animais e plantas.
3) O Evangelho do Reino nos foi deixado a proclamar a todos - (Mt. 4: 23; 4:35; 24:14); esta mensagem restau­radora é a “Palavra do Reino” (Mt. 13:19). Os que são de Cristo, os quais foram alcançados pelo Evangelho do reino, são chamados “filhos do reino” (Mt. 13). O importante para o pecador é que ele entre no Reino de Deus, pela porta da re­generação, do novo nascimento: “Se alguém não nascer de novo não pode entrar no reino de Deus” (Jo. 3:3,5). A ênfase dos Evangelhos é que preguemos o “Evangelho do Reino”, para a entrada de pecadores arrependidos e regenerados no “Reino de Deus”.

5. POR QUE OS EVANGELHOS FALAM TÃO POUCO DE IGREJA?
1) Os quatro Evangelhos só se referem à Igreja duas ve­zes - (Mt. 16:18 e 18:17). A primeira referência é à promessa de Jesus de edificar a Igreja, no futuro: “Edificarei a minha Igreja”. O Reino estava presente, mas a Igreja ainda não. Após a morte e ressurreição de Cristo e a vinda do Espírito Santo, o Reino haveria de crescer muito. Jesus disse a Pe­dro que lhe daria as chaves do Reino: “Eu te darei as chaves do Reino dos céus...” (Mt. 16:19). E foi no dia de pentecostes (Atos 2.14) que Pedro usou essas chaves, e quase três mil pessoas entraram para o Reino, através do arrependimento e da Fé em Cristo.
2) No Livro de Atos dos Apóstolos nasce a Igreja em Pentecostes - Pedro usando as chaves pela segunda vez, através da pregação da palavra, em Atos 3, por ocasião da cura do coxo, diz-nos Lucas que o número dos discípulos chegou a quase cinco mil (At 4:4). Até então, ainda não havia aparecido a palavra “Igreja” em Atos. Ela vai aparecer pela primeira vez em Atos 5:11, por ocasião da disciplina aplicada sobre Ananias e Safira. A partir daí, até Apocalipse 3, é citada a palavra por mais de cem vezes. No contexto do crescimen­to do Reino, pela entrada de milhares e milhares de pessoas, é que surgiu a Igreja ou igrejas.
3) Na maioria das vezes a palavra “Igreja” aparece no singular - referindo-se a um grupo de crentes em determi­nada cidade. Quando aparece no plural “igrejas”, refere-se a vários grupos de crentes em certas regiões. Neste contexto, Igreja é a forma visível do Reino; é a sua estrutura organiza­cional e administrativa. As igrejas são grupos organizados de servos do Rei a serviço do Reino. Ainda hoje chamamos de “Igreja” um determinado número de crentes estruturados so­bre certos princípios. Um grupo que tenha liderança bíblica para a sua administração, conforme Efésios 4.11. Neste sen­tido as igrejas podem ser chamadas de agentes ou embaixa­das do Reino de Deus na terra. Quando servimos na Igreja, servimos ao Reino e para tanto nos organizamos em Igreja.

6. QUAL É NOSSA MISSÃO NO REINO ATRAVÉS DA IGREJA?
1) Somos chamados a viver e servir na missão do Reino onde fomos plantados - Em Atos 19: 8; 20:25; 28:23 e 31 Lucas diz que Paulo “pregava o Reino”. Também é interes­sante que nas Escrituras somos chamados de “servos”; isto porque o Reino tem “servos”; e a Igreja tem “membros”.
2) No contexto da volta de Cristo e do futuro eterno do povo de Deus - não aparece a palavra Igreja. Em Apoca­lipse a palavra “Igreja” só aparece no capítulo 3 e em 22.16, falando das sete igrejas da Ásia Menor. Na eternidade só ha­verá o Reino de Deus e de seu Filho Jesus Cristo (Ap. 11:15). Como Jesus dirá na Sua vinda: “vinde benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt. 25:34).
3) O Reino de Deus foi entregue pelo Pai a Cristo - Ele é o Rei e será Rei para todo sempre. Todo poder foi dado a Ele nos céus e na terra (Mt 28:18 e Dn. 7:14); Ele é rei sobre os crentes, sobre os Seus servos que entraram em Seu Reino e fazem a Sua vontade andando no caminho do Reino, exer­cerá juízo e condenará todos os ímpios. Um dia Ele entrega­rá novamente o Reino restaurado ao Pai (1 Co. 15:24 e Ap. 11:15).

7. QUAL A IMPORTÂNCIA DE ANDARMOS NA VISÃO DO REINO?
1) Difundir esta ideia é muito importante - pois uma grande maioria dos crentes só se preocupa em atender as exigên­cias para se manterem como membros de uma Igreja e nada fazem a favor do Reino. Outros se esforçam muito quando o esforço visa fortalecer à estrutura local de sua Igreja e pouco ou quase nada fazem a favor do Reino. Devemos nos lem­brar que a Igreja não é um fim em si mesma; não trabalha­mos, em primeira mão para o crescimento da Igreja e sim para o crescimento do Reino. Embora o crescimento seja recíproco porque o Reino crescendo, cresce também a Igreja e sua estrutura. Uma Igreja deve cuidar bem de sua estrutura e de sua organização, visando melhor trabalhar a favor do Reino dos céus.
2) A visão do Reino tira-nos dos limites das quatro pare­des - de nossos templos, eleva os nossos olhos além da es­trutura orgânica de nossas igrejas para uma obra muito mais ampla e para desafios muito maiores. Devemos nos lembrar que antes de sermos membros da Igreja, somos servos do reino; servir a Igreja e não servir o Reino é estar fora dos propósitos do Rei Jesus.
3) Não pode haver bons membros da Igreja sendo maus servos do Reino - Se formos bons servos do Reino, certa­mente seremos também bons membros da Igreja. Quantos crentes que desagradam da Igreja e deixam de trabalhar e de contribuir; estes são maus membros e maus servos. Se­jamos bons membros e bons servos. Assim poderemos orar: “Venha o teu Reino”; assim teremos motivação para “buscar primeiro o Reino de Deus” antes de qualquer outra preocu­pação. Irmãos, “vamos nós trabalhar, somos servos do Reino de Deus”. Amém!

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Ap. Jota Moura  “E este evangelho do reino será prega­do no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.”...