quinta-feira, 8 de novembro de 2018

PURIM: A FESTA DA UNIDADE



Ap. Jota Moura

“Óh quão bom e quão suave é viverem unidos os irmãos” (Salmo 133.1).
Purim nos lembra que os judeus, mesmo estan­do num país estranho e como escravos, foram duramente perseguidos pelas forças das trevas a fim de serem eliminados para sempre, não deix­ando-se assim nenhum rastro de sua história para a humanidade.
Nesta festa, lembramo-nos que Israel foi liberto da morte, assim como foi no Egito (num país estranho e sob a condição de escravos). Em Purim, a Bíblia e seus man­damentos realmente unem o povo de Deus e as suas gerações subsequentes. Purim celebra a libertação do povo de Deus ainda no cativeiro como no antigo Egito! Mesmo estando numa situação adversa e sob o jugo dos persas, o povo de Israel pode experimentar uma tremenda lib­ertação pela ação do Eterno.

1. IMPORTÂNCIA DE PURIM
Esta palavra hebraica vem do termo “pur” que significa sorte. Ela está então no plural, signif­icando “sortes”. Por que os rabinos atribuem significado especial a uma festa que não se encontra na Torah (Pentateuco), que possui uma origem rabínica, que é celebrada com fes­tividades e comes e bebes, que é destituída de conteúdo religioso, e cuja fonte documenta (O Livro de Ester), nem mesmo contém o nome de Deus?
A importância da Festa de Purim é que ela rep­resenta a aceitação espontânea da Palavra de Deus, por parte de toda uma geração do Seu povo. E é por isso que a celebração de Purim ja­mais desaparecerá, pois está intimamente ligada à sobrevivência do povo judeu.
A libertação dos judeus das maquinações de Haman teve início em Pessach, quando Esther fez a sua primeira aproximação do rei. Seria en­tão possível sugerirmos que Mordechai moldou a festa de Purim, até certo ponto, segundo os modelos de Pessach? Se este é o caso, então o modo de observação de Purim cai em um pa­drão bastante distinto.
Depois de ser libertado das mãos de Haman por Deus, através da interferência de Ester e Mor­dechai, o Povo Judeu agora reconciliou-se livre e alegremente à Torah, cumprindo com os seus mandamentos. Eles não tinham nenhuma outra intenção e não foram de forma alguma obriga­dos por Deus. E é por isso então que a Festa de Purim adquire tamanha importância, pois é a celebração da aceitação voluntária da Torah pelo povo judeu.
O tema básico de Purim é a história da liber­tação. Assim como o êxodo do Egito, temos a obrigação de lembrar desta história. Em Purim também a história é contada, através da leitura da Meguilá (Livro de Ester). Da mesma forma que experimentamos o gosto amargo da ser­vidão, através da história e através do gosto amargo das ervas que comemos em Pessach, assim também experimentamos a sensação de perigo para o nosso povo, através do jejum anterior a Purim. O jejum, chamado de “Jejum de Ester” em homenagem ao papel principal de Ester, não acontece no mesmo dia dos três out­ros dias de jejum. Assim, da mesma forma em que em Pessach o gosto amargo precede a sen­sação de liberdade, assim também em Purim, o jejum precede as festividades. Em Pessach celebramos a libertação do Egito, em Purim nos alegramos pela libertação da Pérsia numa cele­bração espiritual.

2. SIGNIFICADO DE PURIM
A Sidrá da Torah nos lembra do fato de que a nossa força se baseia na nossa união como povo de Deus. Assim como os impostos em skeka­lim, cada israelita era igual aos olhos de Deus, sendo somente parte do todo, completos so­mente quando ligados ao seu próximo. Quando separado de sua comunidade, o judeu se torna um simples fragmento; mas unido aos seus irmãos, ele se torna um todo efetivo. O histo­riador grego Strabo descreve os judeus da sua época: Não há lugar algum do mundo onde o judeu não esteja ou não tenha se estabelecido. Mesmo assim, em todas as nações da dispersão, os judeus mantiveram-se unidos e não fragmen­tados. Eles consideravam-se a si próprios como judeus da diáspora e encaravam Israel como sua terra natal. Jerusalém era a mãe de todas as comunidades judaicas, o Templo e os Sanedrim representavam sua capital. (Sanedrim 11, Rosh Hashaná 22).
A história dramática de Purim nos dá uma ilus­tração a mais deste princípio. Ester ao contar a Mordechai os planos diabólicos de Haman de exterminar todos os judeus do Império Persa, disse que Haman obteve sucesso em convencer o rei Ahasuerus, devido ao fato dos judeus esta­rem “divididos e desunidos” (Ester 3:8).
Tendo o desespero se espalhado por entre os ju­deus, Mordechai pediu à Ester que intercedesse e que fizesse um apelo ao Imperador. Ester o aconselhou: “Una os judeus primeiramente”. Só então Ester fez o apelo junto ao Imperador que trouxe a salvação e a festividade. Os judeus estão ligados a um pacto apresentado a eles por Mordechai e Ester.
As características de Iom Kipur são arrependi­mento, oração e ofertas aos pobres, são também as características de Purim. Os últimos dos itens são muito claros. O jejum de Ester e a leitura da Meguilá são facilmente identificados com as orações dos rituais de Kipurim. Yom Kipurim é o dia mais sagrado do ano – o dia no qual esta­mos mais perto de Deus e da quintessência de nossas almas. É o Dia da Expiação – “Pois neste dia Ele te perdoará, te purificará, para que se­jas purificado de todos os teus pecados perante Deus” (Levítico 16:30). Há ainda uma mitzvá específica – Matanot Laevionim – presente aos pobres. O aspecto de Tshuvá pode ser encontra­do no Lech Kenoset col Hayehudim. É a respos­ta ao que poderia ser mesmo con­siderado uma fra­queza percebida até mesmo por Haman. “Há um povo disperso e dividido”.

3. APLICAÇÃO PRÁTICA DE PURIM
O período festivo de Purim é marcado por um número bem distinto de práticas. Os dias anteri­ores a Purim são os dias do Jejum de Esther, ex­ceto quando Purim tem início no Sábado à noite.
Além da leitura da Meguilá (Livro de Ester), é também uma obrigação em Purim a comemo­ração da data com uma breve festividade. São enviados presentes aos pobres (matanot laevion­im) e vários tipos de alimentos para no mínimo uma pessoa (mishloach manot). Da mesma for­ma em que somos chamados a jejuar, também devemos presentear aos pobres e enviar comida para ao menos um indivíduo. O objetivo disto é permitir que os pobres consigam o necessário para a celebração da Festa de Purim.
Vivemos em uma época perigosa pela descren­ça generalizada. Infelizmente, a grande maioria dos cristãos hoje, não veem a Bíblia como parte integrante em suas vidas. Alguns não têm feito isto somente por ignorância, simplesmente de­sconhecem o real conteúdo da Bíblia e, por isso, não podem entender sua importância. Outros simplesmente a rejeitam, sendo que o pouco que sabem não os convence da verdade para serem libertos espiritualmente (ler João 8.32,36).
Nossa obrigação última é com a educação bíbli­ca em todos os seus níveis e não apenas para as crianças. Somente através do estudo da Bíblia, uma pessoa é capaz de aprender a gostar da Pa­lavra de Deus em toda a sua grandeza e sentir a inspiração necessária para viver de acordo com ela. A educação cristã deveria ser o item mais importante de toda a agenda da Igreja. Dizendo de um modo simples, sem o estudo sistemático da Bíblia, a vida cristã e o cristianismo em todas as suas facetas perderão sua eficácia.
A Igreja cristã tem sobrevivido por mais de 2000 anos, somente devido ao fato de que em cada geração, tem havido um número suficiente de pessoas que estudaram a Bíblia, sentindo-se inspiradas a viver segundo ela, e até morrer por ela. Enquanto o povo cristão continuar a se comprometer com a Bíblia e seus mandamentos a cada geração, o verdadeiro espírito de Purim viverá para sempre, e mais importante que isso, sobreviverá.
A união do povo de Deus traz o milagre da sal­vação. Quando todas as forças da Igreja estão a serviço do Senhor e dos valores bíblicos, então as nossas conquistas trarão luz a todo o mundo.

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