quarta-feira, 26 de dezembro de 2018


Ap. Jota Moura

"E em Jerusalém celebrava-se a festa da dedicação, e era inverno”. (Jo 10.22).

     Esta festa começa no dia 25 de Kislev, dura 8 dias e comemora os eventos ocorridos na terra santa, na época do 2º Templo, durante a era do domínio grego. Foi naquela época que surgiram pela 1ª vez perseguições contra a religião judaica. Naquele tempo surgiram também as manifestações comoventes e espantosas do heroísmo judeu e total dedicação à preservação da herança do judaísmo. Aqueles acontecimentos marcaram profundamente a história judaica. O nome Chanukah é composto de duas palavras: Chanu = descansaram e ka = com valor numérico 25. Os judeus descansaram no dia 25 de Kislev, após a vitória contra os seus opressores gregos. Esta festa também é conhecida como Festa das Luzes (por causa do milagre do azeite) ou Festa da Dedicação (por causa da reconsagração do templo).

1.  LIBERTANDO-SE DOS OPRESSORES
Conta a história, que houve um tempo em Israel, que se alguém se recusasse a adorar os deuses gregos ou insistisse em praticar os ritos judaicos era morto. Sob a liderança dos Macabeus (clã que comandou a revolta), o templo e a cidade de Jerusalém acabariam por ser libertados do domínio grego. Macabeus (do hebraico מכבים ou מקבים, Makabim "martelos") é o nome de uma família judaica que liderou a revolta contra o domínio selêucida e fundou uma dinastia de reis da Judéia entre 140 a.C. e 37 a.C. . Seu membro mais conhecido foi Judas Macabeu, assim apelidado devido à sua força e determinação. Os Macabeus durante anos lideraram o movimento que levou à independência da Judéia,e que reconsagrou o Templo de Jerusalém, que havia sido profanado pelos gregos. Após a independência,os Macabeus deram origem à linhagem real, que governou Israel até sua subjugação pelo domínio romano em 63 a.C..


2. INÍCIO DA REVOLTA
Com a proibição, em 167 a.C. da prática do Judaísmo pelo decreto de Antíoco IV e com a introdução do culto a Zeus Olímpico no Templo de Jerusalém, muitos judeus decidem resistir a esta assimilação e acabam sendo perseguidos e mortos. Conforme diz em 1 Macabeus 1:56-64 : "Quanto aos livros da Torá, os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. Onde quer que se encontrasse, em casa de alguém, um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Torá, o decreto real o condenava à morte. Na sua prepotência, assim procediam contra Israel, com todos aqueles que fossem descobertos, mês por mês, nas cidades. No dia vinte e cinco de cada mês ofereciam-se sacrifícios no altar levantado por sobre o altar dos holocaustos. Quanto às mulheres que haviam feito circuncidar seus filhos, eles, cumprindo o decreto, as executavam com os mesmos filhinhos pendurados a seus pescoços, e ainda com seus familiares e com aqueles que haviam operado a circuncisão. Apesar de tudo, muitos em Israel ficaram firmes e se mostraram irredutíveis em não comer  nada de impuro. Eles aceitaram antes morrer, que contaminar-se com os alimentos e profanar a Aliança sagrada, como de fato morreram. Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel". Entre os judeus que permaneceram fiéis à Torá, está o sacerdote Matatias,chamado de Hasmoneu, devido ao nome do patriarca de sua linhagem. Recusando-se a servir no templo profanado , Matatias se exila com sua família em sua propriedade em Modin. Matatias tem cinco filhos : João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas. Convocado para os sacríficios sacrílegos, Matatias acaba matando o emissário real e um sacerdote que se propõe a oficiar os sacríficios.Convoca então os judeus fiéis à Torá e foge com seus filhos para as montanhas, iniciando o movimento de resistência contra o domínio estrangeiro, destruindo altares, circuncidando meninos à força e recuperando a Torá das mãos dos gentios.


3. JUDAS MACABEU O HERÓI
Matatias morre em 166 a.C. e seu filho Judas assume a liderança da resistência. Judas desenvolve técnicas de guerrilha, que vence as contínuas tropas selêucidas enviadas. Apesar de alguns explicarem tal fato como "intervenção divina", Antíoco também tinha de se preocupar com outras revoltas em seu império. Em 164 a.C., Judas e seus homens conseguem tomar Jerusalém e rededicar o Templo, no que ficaria conhecida como a Festa de Chanukah"No dia vinte e cinco do nono mês - chamado kisleu - do ano cento e quarenta e oito, eles se levantaram de manhã cedo e ofereceram um sacrifício, segundo as prescrições da Lei, sobre o novo altar dos holocaustos que haviam construído. Exatamente no mês e no dia em que os gentios o tinham profanado, foi o altar novamente consagrado com cânticos e ao som de cítaras, harpas e címbalos (...) E Judas, com seus irmãos e toda a assembléia de Israel, estabeleceu que os dias da dedicação do altar seriam celebrados a seu tempo, cada ano, durante oito dias, a partir do dia vinte e cinco do mês de kisleu, com júbilo e alegria".
(1 Macabeus 4:52-54,59).


4. O MILAGRE DO AZEITE
Depois de os expulsarem, os judeus recuperaram o templo de Jerusalém e quando se preparavam para lá acender uma "Menorah", verificaram que só tinham azeite para mantê-la acesa durante um dia. Contudo, segundo o relato do milagre, o azeite durou oito dias, dando aos judeus tempo suficiente para produzir novo azeite puro para iluminação do Templo (do qual resta apenas o que se conhece hoje como Muro das Lamentações). É para celebrar este milagre, que simboliza a vitória dos judeus sobre os seus inimigos, que se comemora a Festa de Chanukah. Na conquista do Templo, após a limpeza e purificação, viram nisso um sinal do céu para uma nova era de vida feliz. Como expressão de alegria e gratidão, a cidade foi iluminada com muitas luzes e os macabeus celebraram com grande alegria o livramento e o milagre que receberam de Deus, com preces e agradecimentos pela grande vitória. É forma de recordar o milagre da multiplicação do azeite no pequeno jarro, ocorrido durante o conflito entre judeus e gregos. A Festa de Chanukah, que em Israel se inicia normalmente no dia 25 do mês "Kisleu" do calendário hebraico (correspondente a Dezembro), comemora a restauração da soberania do povo judeu, sob o domínio dos gregos, que queriam converter a nação à cultura helênica pagã. Deixe a luz de Deus raiar sobre você! Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do SENHOR”. (Is 2.5). Disse Jesus: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”.

5. APLICAÇÃO CRISTÃ DA FESTA
“Farás também um candelabro de ouro puro; de ouro batido se fará este candelabro; o seu pedestral, a sua hástea, os seus cálices, as suas macenetas e as suas fleres formarão com ele uma só peça.” (Êx 25.31)
CHANUKAH lembra o movimento dos Macabeus que lutaram nos anos 70 a.C., para que o povo judeu, então dominado pelo exército helênico de Antíoco Epifânio, pudesse preservar sua identidade e tradições de fé e vida. O milagre de uma vitória impossível de Yehuda Macabi e seus irmãos contra a dominação greco-romana, somado à multiplicação do azeite no candelabro que proveu luz multiplicada de um dia para oito dias e noites, resultando na reconstrução do Templo em Jerusalém, é prova suficiente de que nada resiste a uma fé convicta em Deus. É também a afirmação de que uma minoria unida é capaz de vencer a maioria triunfalista e desunida!
A palavra Chanukah significa dedicação, sendo a mesma raiz da palavra Chinuch, educação. Dedicação é uma palavra chave em todos os projetos de nossa vida. Especialmente, expressa consagração nas nossas relações com Deus. “Celebrava-se a festa da Dedicação, em Jerusalém.”(João 10.22) E Jesus estava presente na festa! Na consagração do templo ao Senhor, eles precisavam acender a menorah, mas não tinham o óleo consagrado. Todo óleo em Israel é extraído de uma prensa chamada Getsêmani que é o lugar da prensa, da extração, da dor. É ali que é esmagada a oliveira.
O primeiro óleo que sai é um óleo fino, nobre - este óleo é dos sacerdotes e é destinado para ungir Israel, os portais, o templo e os levitas nos seus turnos. O segundo óleo é para acender a luz, é o óleo da lamparina, o óleo que se coloca na menorah.
O azeite da segunda prensa - fica aceso de três a nove horas na menorah. A menorah possui sete lâmpadas; para cada dia da semana existe uma luz. Jesus nos fala que a menorah não deve ser colocada debaixo da mesa, ela deve ser colocada no velador para que toda a casa seja iluminada. Em Mateus 5:12-16 Jesus está falando que Ele é a menorah acesa que ilumina o  mundo e nós somos a luz do mundo. "Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." Você vai iluminar a terra todos os dias da semana. A terra nunca mais estará em trevas se a sua menorah estiver acesa.
O terceiro óleo é o comestível -  aquele que se coloca na refeição. O óleo de oliva equilibra todo o organismo e não aumenta o colesterol. Jesus é a nossa Oliveira e nós estamos enxertados nEle. Ele é o nosso equilíbrio, o equilíbrio do organismo chamado igreja.
O quarto óleo é para fazer sabão ou graxa - Nada é desperdiçado. Em Malaquias 3:1-2 o Senhor diz que precisamos do sabão do lavandeiro, que deixa as nossas vestes brancas.
     Então, a oliveira é responsável para nos dar a unção sacerdotal, deixar a nossa lâmpada acesa, alimentar e equilibrar o organismo e deixar nossas vestes brancas.
Hanukiah é a lâmpada do meio do candelabro de 9 luzes e significa um milagre extraordinário. Ora, se o óleo deixava a lâmpada acesa de três a nove horas e a lâmpada do templo ficou acesa por oito dias com a mesma medida, isto é um milagre extraordinário. Hanukah é uma festa que aponta para o Messias. Porém, os judeus não messiânicos celebram esta festa apenas como o milagre da luz. Não têm a revelação de quem é a verdadeira  luz.
      Preste atenção ao que está sendo ministrado, pois o espírito da tradição religiosa não deseja que nossos olhos sejam abertos. Ele quer nos prender ao paganismo. Esse paganismo se traduz na tentativa de deixar as festas bíblicas no esquecimento e de pegar as festas pagãs e tentar cristianizá-las. Porém, Deus abriu os nossos olhos. Não estamos mais debaixo da escuridão, pois o Senhor nos trouxe para a luz. Só terá revelação das festas bíblicas quem for ovelha, discípulo de Jesus. Ovelha segue o Pastor. O discípulo é aquele disciplinado nas doutrinas que o Mestre ensina.
     A Festa do Hanukah é um ato profético que apontava para o nascimento do Messias e aponta para o retorno do Senhor. Jesus participou da Festa das Luzes, porque era um sinal messiânico. Chanukah é essencialmente a Festa das Luzes - luz no sentido amplo de esperança no porvir, de brilho interior e de testemunho da verdade libertadora de Cristo em nossas vidas. "Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida". Chanukah é uma festa de família, principalmente das crianças. São elas as velas da Chanukah, a luz e a esperança do povo de Deus. A nós cabe alimentá-Ias com a luz que recebemos do Alto, para que aprendam a se conduzir nos princípios da ética do Reino. Nós, Igreja do Reino à semelhança de Israel, entramos nesta Festa, jubilantes, fazendo coro com Maimônides (Rambam): "...os dias do Messias diferem dos outros em seu aspecto; já não seremos escravizados por reinos estrangeiros..." Unidade significa viver como ser humano. É lutar por uma vida na qual o povo seja sujeito da História e não Objeto. Pela força do Espírito da liberdade gloriosa dos filhos de Deus. 
Chag Sameach Chanukahl!!

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